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Mata de São João,08/10/2026

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De economista a voz da extrema-direita: quem é Rodrigo Constantino, alvo de investigação após ataque a Bahia

Economista e escritor, Constantino passou pelo mercado financeiro, grandes veículos de imprensa e instituições liberais antes de se tornar uma das vozes mais conhecidas da direita brasileira

Fonte: Metro 1
De economista a voz da extrema-direita: quem é Rodrigo Constantino, alvo de investigação após ataque a Bahia Foto: Reprodução/Metro 1
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Economista, escritor e comentarista político, Rodrigo Constantino construiu ao longo de quase três décadas uma trajetória marcada pela defesa de ideias liberais e conservadoras, pela atuação em grandes veículos de imprensa e por sucessivas controvérsias que o aproximaram do campo da extrema-direita brasileira. A mais recente ocorreu após o primeiro turno das eleições de 2026, quando afirmou que “a Bahia é o câncer do Brasil”, chamou Salvador de “lixo” e fez generalizações sobre os baianos. A declaração provocou reação de autoridades, levou a Polícia Civil a abrir apuração e motivou uma notícia-crime da OAB-BA à Polícia Federal.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1976, Constantino é formado em Economia pela PUC-Rio e tem MBA em Finanças pelo IBMEC. Trabalhou no mercado financeiro entre 1997 e 2013 e foi membro fundador do Instituto Millenium, além de ter presidido o Conselho do Instituto Liberal. Como articulista e comentarista, passou por veículos como Veja, O Globo, Valor Econômico, IstoÉ, Jovem Pan e Record. Em artigo publicado pela própria Jovem Pan, chegou a se definir como “um liberal com viés conservador”, defensor do livre mercado, de um Estado limitado e de valores tradicionais.

Da economia à extrema-direita

A transformação de seu pensamento também aparece na produção editorial. Constantino é autor de livros como “Esquerda Caviar”, “Contra a Maré Vermelha”, “Brasileiro é Otário?”, “Confissões de um Ex-Libertário”, “Pensadores da Liberdade”, “O Mínimo sobre Economia”, “Judeofobia” e “Autobiografia de um Guerreiro da Liberdade”. Em “Confissões de um Ex-Libertário”, ele relata o afastamento do libertarianismo e a aproximação com ideias conservadoras. A própria autobiografia aborda sua passagem pelo mercado financeiro, o trabalho com Paulo Guedes e os conflitos que teve com Olavo de Carvalho.

A trajetória pública também acumula episódios que ultrapassaram a disputa ideológica. Em 2020, ao comentar o caso Mariana Ferrer, Constantino afirmou que, caso uma filha sua relatasse ter sido estuprada em circunstâncias semelhantes às descritas pela jovem, ele não denunciaria o homem e a colocaria de castigo, dizendo que ela teria “errado feio”. A declaração provocou sua demissão da Jovem Pan e, no dia seguinte, da Record. A Rádio Guaíba e o Correio do Povo também anunciaram seu desligamento. Dois meses depois, ele chegou a retornar temporariamente à Jovem Pan para cobrir férias de outros comentaristas.

Entre polêmicas e disputas políticas

O episódio envolvendo Mariana Ferrer não foi isolado. Constantino também foi condenado em primeira instância a indenizar o ator Fábio Assunção por danos morais após associar a dependência química do artista às suas posições políticas. Em 2021, foi criticado por comentar uma imagem manipulada envolvendo Gabriela Prioli. Em 2023, suas manifestações apareceram no contexto da investigação do Ministério Público Federal sobre a Jovem Pan por conteúdos considerados desinformativos e possíveis incentivos a ações antidemocráticas após os ataques de 8 de janeiro. Antes da atual controvérsia, uma manifestação sobre a Bahia atribuída a Constantino também chegou ao MPF, em 2022, mas o procedimento foi arquivado.

A fala sobre a Bahia agora acrescenta um novo capítulo a esse histórico. No vídeo publicado em 4 de outubro, Constantino relacionou suas críticas ao resultado eleitoral no estado e generalizou afirmações sobre os baianos, dizendo que “ninguém quer trabalhar” e que seriam, “com todas as boas exceções”, uma “vergonha para o Brasil”. A OAB-BA pediu à PF investigação por possível discriminação contra a população baiana, enquanto o MP-BA informou que provas foram preservadas e avalia qual esfera deve conduzir o caso. Após a repercussão, Constantino afirmou que a expressão “câncer do Brasil” se referia ao peso eleitoral da Bahia para o PT e apresentou retratação às pessoas que se sentiram ofendidas.

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