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Mata de São João,25/09/2026

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Operação revela esquema de drogas para clientes ricos na Bahia

A investigação aponta que a rede utilizava as redes sociais como uma espécie de vitrine para apresentar os entorpecentes

Fonte: Tribuna da Bahia
Operação revela esquema de drogas para clientes ricos na Bahia Foto: Reprodução/Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
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Mais de R$ 9,6 milhões movimentados em contas bancárias, carros de luxo, drogas com nomes comerciais e clientes recrutados pelo Instagram. A estrutura investigada pela Polícia Civil da Bahia tinha como público-alvo médicos, empresários, advogados e outros consumidores de alto poder aquisitivo e funcionava com uma lógica semelhante à de um serviço de entrega. 

O grupo é alvo da Operação Iceberg, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ao todo, 11 pessoas foram presas, segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pelos principais veículos que acompanham a operação.

A investigação aponta que a rede utilizava as redes sociais como uma espécie de vitrine para apresentar os entorpecentes. Os interessados faziam contato pelo Instagram, negociavam os produtos por mensagens privadas e realizavam os pagamentos principalmente por PIX.

Depois da confirmação do pagamento, as drogas eram entregues em embalagens discretas, sem identificação do conteúdo. A estratégia, segundo os investigadores, permitia que a venda de drogas assumisse uma aparência semelhante à de uma entrega comercial comum.

Como atuavam

O diferencial da organização estava também no público que pretendia alcançar. Em vez de atuar apenas no mercado convencional, os investigados teriam criado uma espécie de segmento de drogas destinado a consumidores com maior poder de compra.

Os produtos eram apresentados com nomes próprios e vendidos por valores superiores aos praticados normalmente no mercado ilícito. Entre as denominações identificadas na investigação estão ICE, WOLF, DRY e FLOR 24K. Também aparece entre os produtos investigados o chamado REFIL HALLU CALIFA, relacionado a variedades de cannabis.

A investigação financeira foi um dos principais elementos utilizados para dimensionar o tamanho da estrutura. Segundo a polícia, mais de R$ 9,6 milhões passaram pelas movimentações bancárias analisadas durante a apuração. Ao todo, os investigadores identificaram mais de 16,6 mil transações. A análise financeira também apontou, segundo a investigação, o uso de contas de terceiros, empresas e outras pessoas para movimentar recursos.

Bloqueio

A Justiça autorizou ainda o bloqueio de até R$ 200 milhões em patrimônio e recursos relacionados aos investigados. O valor, porém, não significa que R$ 200 milhões tenham sido apreendidos. Trata-se do limite determinado judicialmente para as medidas de bloqueio patrimonial.

A ostentação também chamou a atenção dos investigadores. Durante a operação foram apreendidos oito carros e uma motocicleta, avaliados em mais de R$ 1,1 milhão pela tabela FIPE. Entre os veículos estão modelos como Audi A4, Audi Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass, Chevrolet Tracker e Honda NXR 160 Bros.

Uma pistola também foi apreendida. A arma estava com um médico investigado, que acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Além dos veículos e da arma, os policiais recolheram celulares, documentos e porções de entorpecentes. A quantidade exata de cada tipo de droga apreendida, porém, ainda não foi detalhada nas principais informações divulgadas nesta quinta-feira. A perícia deverá ajudar a identificar e quantificar o material recolhido.

A investigação também revelou uma estratégia utilizada para transportar os entorpecentes sem levantar suspeitas. Parte das drogas teria sido colocada dentro de potes de cremes estéticos. As cargas eram transportadas em ônibus comerciais. Segundo a investigação, uma das modalidades identificadas como ICE chegava a Salvador e depois era distribuída para outras cidades baianas. Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus aparecem entre os municípios relacionados à estrutura investigada. Ilhéus também foi incluída entre os locais onde foram cumpridas ordens judiciais. Em Sergipe, uma das medidas foi cumprida em Aracaju contra um investigado que já estava preso.

Bairro nobre

Na capital baiana, o principal alvo da operação foi localizado no Alto do Itaigara, área de alto padrão de Salvador. O endereço chamou atenção dos investigadores justamente por estar associado a um dos suspeitos apontados como peça importante da estrutura.A investigação também alcançou outros endereços ligados aos suspeitos em Salvador, mas as informações divulgadas até agora não permitem afirmar que todos esses locais funcionavam como pontos de venda de drogas.

Esse detalhe é importante porque a operação não necessariamente significa que cada endereço visitado pelos policiais era um ponto de comercialização. Os locais podem estar relacionados às residências, veículos, empresas ou outros bens dos investigados. Segundo a polícia, um dos principais investigados recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai. A partir daí, os entorpecentes eram distribuídos para integrantes responsáveis pela revenda. A investigação também identificou diferentes funções dentro da estrutura. Alguns suspeitos estariam ligados ao armazenamento, outros à distribuição e outros à movimentação financeira.Em Vitória da Conquista, um dos investigados é apontado como liderança regional. Em Santo Antônio de Jesus, outro suspeito teria participação na logística de distribuição.

A operação, portanto, não mira apenas vendedores encontrados com drogas. A investigação procura atingir uma cadeia que, segundo a polícia, envolveria fornecedores, distribuidores, vendedores e pessoas responsáveis pela circulação do dinheiro.

O uso das redes sociais foi fundamental para a expansão do negócio. O Instagram permitia que os produtos fossem apresentados diretamente aos potenciais compradores e que os contatos fossem realizados sem a necessidade de encontros presenciais para iniciar a negociação. O PIX, por sua vez, deixou registros financeiros que ajudaram os investigadores a reconstruir parte da movimentação atribuída ao grupo. Foi a combinação dessas duas frentes — comunicação digital e rastreamento financeiro — que permitiu, segundo a polícia, identificar uma estrutura que procurava se apresentar de maneira diferente do tráfico tradicional.

A Operação Iceberg foi realizada em Salvador, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, na Bahia, além de Aracaju, em Sergipe. A ação mobilizou equipes de diferentes setores da Polícia Civil, incluindo unidades de inteligência, combate ao narcotráfico, investigação financeira, operações especiais e polícia técnica. A investigação teve origem em informações obtidas durante uma apuração anterior e avançou depois que os policiais identificaram perfis utilizados para comercializar os entorpecentes.

Perfis

A partir desses perfis, os investigadores passaram a acompanhar a dinâmica das vendas e chegaram a outros integrantes da estrutura. O resultado foi uma operação que combina acusações de tráfico de drogas, movimentação financeira suspeita e ocultação patrimonial. O caso ainda está em fase de investigação. As funções atribuídas pela polícia aos suspeitos deverão ser analisadas pela Justiça, e as prisões realizadas nesta quinta-feira não representam, por si só, condenações. Também devem ser analisados os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

A perícia poderá esclarecer a quantidade e a composição das drogas encontradas, enquanto a análise dos celulares e documentos poderá revelar novos compradores, fornecedores e integrantes da estrutura. Até agora, o balanço divulgado aponta 11 presos, oito carros e uma motocicleta apreendidos, além de uma pistola, celulares, documentos e porções de entorpecentes. O dado que mais chama atenção na investigação, entretanto, é a dimensão financeira: mais de R$ 9,6 milhões em movimentações identificadas em mais de 16,6 mil transações.

Estrutura

Para a Polícia Civil, a estrutura revela uma adaptação do comércio ilegal de drogas ao ambiente digital, utilizando redes sociais, pagamentos eletrônicos, entregas discretas e produtos apresentados como itens exclusivos para atingir um público específico.

A Operação Iceberg continua em andamento e novas informações poderão ser divulgadas pelas autoridades após a análise do material apreendido e o avanço das investigações.

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