Doenças cardiovasculares matam 73 pessoas por dia na Bahia
Especialista alerta que fatores de risco e até doenças já instaladas podem evoluir sem sintomas
Foto: Reprodução/Tribuna da Bahia O alerta ganha força às vésperas do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. Infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e arritmias estão entre as condições cardiovasculares que mais preocupam especialistas, como o professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, Alexsandro Fagundes.
“Os próprios fatores não geram sintomas e as pessoas já com doença manifesta podem ser assintomáticas, ou seja, terem doença no coração e não sentirem absolutamente nada”, disse em entrevista à Tribuna da Bahia.
Entre os principais fatores de risco, ele destaca hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes e tabagismo. A lista inclui ainda excesso de peso, sedentarismo, estresse, doenças inflamatórias, histórico familiar e idade. “Existe uma predisposição maior em homens com idade acima de 60 anos, com histórico familiar positivo. Acrescente a isso excesso de peso, sedentarismo, estresse e doenças inflamatórias”, afirma.
O impacto também aparece nas internações. Pesquisa divulgada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) contabilizou 776.317 internações por doenças cardiovasculares no Estado entre 2012 e 2022. Mais da metade ocorreu entre pessoas com 60 anos ou mais. No período, a taxa de mortalidade cardiovascular passou de 138,4 para 187,5 mortes por 100 mil habitantes.
Dados do SUS mostram ainda 61.812 internações por infarto agudo do miocárdio na Bahia entre 2019 e julho de 2025. No mesmo intervalo, foram registradas mais de 110 mil hospitalizações por AVC isquêmico e condições relacionadas.
Sinais que não podem ser ignorados
Embora parte dos problemas cardiovasculares possa evoluir silenciosamente, alguns sinais exigem atenção imediata. O mais conhecido é a dor no peito, principalmente quando surge durante um esforço.
“É uma dor opressiva, uma dor atrás do meio do peito, que pode radiar para o pescoço, para o braço esquerdo, para as costas ou para a parte superior do abdômen, com náusea, sudorese e palidez, que aparece ao caminhar ou fazer algum esforço e melhora com repouso”, descreve o médico Fagundes.
O cardiologista ressalta que esse tipo de manifestação não deve ser confundido com dores contínuas por vários dias. “Uma dor de origem cardíaca é uma coisa fugaz, é uma coisa que dura alguns minutos e isso pode ser o prelúdio, pode ser uma manifestação inicial de algo mais grave", afirma.
Falta de ar aos esforços, desmaios, inchaço nas pernas, aumento do volume abdominal, redução da quantidade de urina e queda da capacidade física também podem indicar que algo não vai bem. “Se a pessoa está cansando, está com falta de ar, está inchando, está urinando menos ou desmaia, são sinais premonitórios e, às vezes, sinais de uma doença já bem estabelecida que ela não reconhece como sendo de origem cardíaca”, explica o especialista.
O diagnóstico pode se tornar ainda mais difícil porque nem todo infarto apresenta a clássica dor no peito. Segundo o especialista, manifestações atípicas tendem a ocorrer com maior frequência entre idosos, mulheres, pessoas com obesidade e pacientes com diabetes.
“O infarto, por exemplo, pode se manifestar até mesmo sem dor. O infarto sem dor é uma situação mais comum de acontecer numa pessoa diabética, que tem diminuição da sensibilidade dolorosa”, afirma o cardiologista.
Nesses casos, cansaço incomum, falta de ar, palidez ou redução repentina da capacidade para realizar atividades habituais devem chamar atenção. “Mesmo quando não existem os sinais clássicos, manifestações equivalentes, como cansaço, falta de ar, uma palidez estranha ou diminuição da capacidade física, devem chamar a atenção e necessitar de uma avaliação cardiológica”, acrescenta.
Para Fagundes, reduzir o impacto das doenças cardiovasculares na Bahia depende não apenas da mudança de hábitos, mas também de ampliar o diagnóstico precoce e garantir que o paciente consiga chegar ao tratamento adequado. “Sem dúvida, o maior desafio que falta avançar em prevenção e diagnóstico precoce é universalizar esse rastreio”, avalia.
O tamanho do Estado e a distribuição dos serviços especializados, segundo ele, tornam o acesso parte central desse desafio. “Em primeiro lugar, educação e informação para a população em geral e para profissionais de saúde, e a garantia de acesso num Estado como o nosso, com uma dimensão territorial enorme”, afirma.


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