Projeto marca avanço na produção nacional de vacinas e busca reduzir a dependência brasileira de tecnologias desenvolvidas no exterior.
Projeto marca avanço na produção nacional de vacinas e busca reduzir a dependência brasileira de tecnologias desenvolvidas no exterior.
Foto: Reprodução / Metro 1 / Marcelo Camargo/Agência Brasil O Brasil vai começar a testar em humanos a primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no país com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O diferencial está no uso de uma espécie de “instrução” que ensina as células a produzir uma proteína capaz de treinar o sistema imunológico contra o vírus. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (2), segundo informações da CNN.
Como funciona a tecnologia
O RNA mensageiro leva às células uma orientação temporária para que elas produzam uma proteína específica. Essa proteína não causa a doença, mas ajuda o organismo a reconhecer o coronavírus e preparar suas defesas. A tecnologia também pode ser adaptada para diferentes vírus e doenças, permitindo o desenvolvimento de novos imunizantes a partir da mesma plataforma.
A vacina foi desenvolvida pela Fiocruz e pelo Bio-Manguinhos e já passou pelos chamados estudos pré-clínicos, realizados antes dos testes em pessoas. Nessa etapa, os pesquisadores verificaram se o imunizante apresentava resultados de proteção contra a Covid-19. Agora, com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), começa a fase clínica, prevista para o primeiro trimestre de 2027.
O que são os testes em humanos
Nessa primeira fase, voluntários receberão a vacina para que os pesquisadores verifiquem principalmente se ela é segura e se consegue provocar uma resposta do sistema imunológico. Os participantes serão acompanhados durante um ano. A proposta é avaliar o imunizante como dose de reforço contra a Covid-19, e os resultados serão usados para orientar as etapas seguintes de desenvolvimento.
Mais de R$ 200 milhões em pesquisas
O governo também destinou cerca de R$ 210 milhões a projetos de vacinas com RNA mensageiro. Fiocruz, Instituto Butantan e UFMG estudam aplicações contra dengue, malária, tuberculose, leishmaniose e doença de Chagas, além de possíveis tratamentos contra o câncer. O objetivo é ampliar a produção nacional, reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e preparar o país para novas emergências de saúde.


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