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Mata de São João,06/07/2026

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Alívio tímido: cesta básica registra primeira queda do ano em Salvador

"Quando um produto baixa, outro aumenta. No fim das contas, a conta continua pesada. Hoje eu comparo preços em mais de um mercado antes de comprar", relata

Tribuna da Bahia
Alívio tímido: cesta básica registra primeira queda do ano em Salvador Foto: Reprodução/Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
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Depois de cinco meses consecutivos de alta, o preço da cesta básica em Salvador apresentou a primeira redução de 2026. Em junho, o conjunto de 25 produtos essenciais passou a custar R$ 651,78, uma queda de 0,80% em relação ao mês anterior. A economia foi de R$ 5,23, segundo levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

Embora o recuo seja pequeno, ele representa uma mudança no comportamento dos preços observados desde o início do ano. Ainda assim, o valor da cesta continua elevado e compromete quase metade do salário mínimo líquido de um trabalhador soteropolitano.

Entre os produtos que mais ficaram baratos estão a linguiça calabresa, a maçã, a cebola, o queijo muçarela, o pão francês, o tomate, a banana-prata, a farinha de mandioca, as carnes bovinas, o açúcar, o arroz e o café.

Por outro lado, alimentos bastante presentes na mesa do brasileiro seguiram em alta. O flocão de milho liderou os aumentos, seguido por cenoura, feijão, queijo prato, carne de sertão, batata inglesa, óleo de soja, ovos, leite, frango, manteiga e macarrão.

Para quem faz compras toda semana, a redução ainda passa quase despercebida. A auxiliar de serviços gerais Maria das Dores, de 46 anos, afirma que continua precisando pesquisar bastante antes de encher o carrinho.

"Quando um produto baixa, outro aumenta. No fim das contas, a conta continua pesada. Hoje eu comparo preços em mais de um mercado antes de comprar", relata.

O motorista por aplicativo José Carlos Santos, de 39 anos, diz que precisou mudar os hábitos da família para manter o orçamento equilibrado.

"A gente diminuiu a quantidade de algumas coisas e trocou marcas mais caras por opções mais baratas. Não dá para comprar tudo como antes", conta.

Já a aposentada Lúcia Almeida, de 68 anos, afirma que sente qualquer alteração nos preços dos alimentos.

"Quando vejo arroz ou café mais baratos já ajuda, mas basta o feijão ou o leite subir que o orçamento aperta de novo", explica.

Segundo o economista Antônio Carvalho, diversos fatores contribuíram para a queda registrada em junho. Entre eles estão o período de safra de alguns alimentos, a redução no preço do diesel e a diminuição do consumo por parte da população.

"Alguns fatores podem ser atribuídos ao recuo dos preços, dentre eles o período de safra de vários alimentos, o pequeno recuo dos preços do diesel e, talvez o principal aspecto, a queda nas vendas. A maioria das pessoas passou a questionar os preços e comprar menos, o que certamente foi sentido pelos estabelecimentos", afirma.

Apesar do resultado positivo, Carvalho destaca que a redução não acontece de forma igual entre todos os produtos.

"Infelizmente a redução nunca é uniforme. Sempre haverá produtos que não sofrem redução e até aqueles que aumentam, geralmente os mais essenciais. O consumidor sente isso e precisa substituir produtos mais caros por outros que atendam à mesma necessidade para reduzir o impacto da inflação", explica.

O levantamento da SEI também mostra que o trabalhador de Salvador precisa dedicar 95 horas e 37 minutos de trabalho para comprar uma cesta básica. Isso representa 43,47% do salário mínimo líquido. Para o economista, esse percentual ainda é motivo de preocupação.

"Ter mais de 40% da renda comprometida com uma única categoria é algo preocupante, principalmente para famílias que pagam aluguel ou têm despesas elevadas com saúde. O aumento dos preços dos itens essenciais reduz o poder de compra e exige sacrifícios para atender às necessidades básicas", ressalta.

Mesmo sem garantias, Carvalho acredita que existe a possibilidade de os preços continuarem em trajetória de queda nos próximos meses.

"É difícil fazer prognósticos precisos porque muitas variáveis influenciam a economia. Mas, considerando a alta produtividade do agronegócio, o avanço da indústria de alimentos, a redução dos custos de produção com o diesel e o comportamento do consumidor em reduzir o consumo, podemos esperar a manutenção dessa tendência de baixa dos preços", conclui.

Apesar do resultado positivo registrado em junho, especialistas alertam que uma única queda não significa o fim da pressão sobre o orçamento das famílias. A expectativa é que os próximos levantamentos indiquem se o movimento representa o início de uma desaceleração mais consistente nos preços dos alimentos ou apenas uma redução pontual provocada por fatores sazonais.

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