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Mata de São João,29/06/2026

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Encourados de Pedrão preservam legado dos vaqueiros da Independência da Bahia

Único grupo remanescente da Guerra da Independência da Bahia, os Encourados mantêm viva uma das tradições mais importantes da história e da identidade cultural baiana

Tribuna da Bahia
Encourados de Pedrão preservam legado dos vaqueiros da Independência da Bahia Foto: Reprodução/ Tribuna da Bahia/ Alex Dantas

No dia 2 de julho, o município de Pedrão levará ao desfile cívico os Encourados de Pedrão, representação histórica dos vaqueiros sertanejos que integraram as forças populares na luta pela Independência da Bahia.

Vestidos com “armaduras” de couro, chapéus e indumentária típica do sertão, os participantes homenageiam os homens liderados por Frei Brayner, cuja atuação tornou-se símbolo da participação popular na consolidação da Independência do Brasil na Bahia.

Mais do que um desfile, a presença dos Encourados reafirma a importância da memória histórica, da cultura sertaneja e da identidade do povo baiano. Após 13 anos sem participar do desfile, o grupo retornou em 2025 de forma discreta, e nesse ano retornam com mais força, trazendo além dos 39 representantes encourados, também a participação de 600 pessoas da cidade de Pedrão, com o objetivo de fortalecer a identidade cultural e manter viva a memória de sua contribuição histórica.

Após o desfile cívico, os Encourados de Pedrão receberão autoridades, convidados no Forte do Barbalho, em Salvador. O local, que integra a história da Guerra da Independência da Bahia e serviu de abrigo para os combatentes durante o conflito, será palco de um momento de celebração e valorização da cultura popular.

A programação contará com muito samba, manifestações tradicionais e confraternização, reforçando o legado histórico dos Encourados e a importância de preservar a memória daqueles que contribuíram para a consolidação da Independência da Bahia.

HISTÓRIA

A participação dos Encourados de Pedrão foi decisiva na luta pela Independência da Bahia, consolidada em 2 de julho de 1823, data que marcou a expulsão definitiva dos portugueses da Bahia. Formada por 39 vaqueiros liderados pelo Frei José Maria do Sacramento Brayner, a companhia militar saiu do município de Pedrão, em dezembro de 1822, para integrar as forças independentistas reunidas em Cachoeira e combater as tropas portuguesas.

O objetivo era reforçar o combate às tropas portuguesas comandadas pelo brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo, que ainda resistiam ao processo de independência iniciado com a proclamação do Brasil, em 7 de setembro de 1822.

Os Encourados, também conhecidos como Voluntários de Pedrão, Guerrilha Imperial dos Voluntários de Pedrão e Companhia de Cavalaria de Couraças, tiveram papel estratégico na Guerra da Independência do Brasil na Bahia. Acostumados às longas cavalgadas e ao deslocamento pela caatinga, os vaqueiros atuaram ao lado de outras tropas que cercaram Salvador por terra, enquanto forças navais bloqueavam o abastecimento das tropas portuguesas na Baía de Todos-os-Santos.

A história dos Encourados também está diretamente ligada ao legado do Frei José Maria do Sacramento Brayner, religioso que participou da Revolução Pernambucana de 1817, foi preso e, após cumprir pena em Salvador, chega à Vila do Pedrão, foi recebido pelo então Tenente Manoel Martins Valverde, que o ajudou a organizar a Guerrilha Imperial dos Voluntários de Pedrão, também conhecida como Companhia de Cavalaria de Couraças ou simplesmente Encourados.

Desde 1993, moradores do município mantêm viva essa tradição ao desfilar caracterizados como os guerreiros que partiram da cidade para lutar pela Independência. O retorno do grupo ao desfile do 2 de julho reforça o reconhecimento da participação popular e do sertanejo baiano em um dos episódios mais importantes da história do país.

Ao lado de militares, lavradores, proprietários rurais, negros, escravizados e outros voluntários organizados pelo general francês Pedro Labatut, os Encourados participaram das ações que cercaram Salvador e contribuíram para a expulsão definitiva das tropas portuguesas. O grupo tornou-se um símbolo da participação popular na Independência da Bahia e permanece como um dos principais marcos históricos do município de Pedrão e da luta pela liberdade no estado.




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