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Mata de São João,30/10/2026

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Defesa de Vorcaro aponta alterações em celular apreendido pela PF e questiona provas

Parecer preliminar contratado pelos advogados identificou modificações em arquivos durante o período em que o aparelho estava sob custódia policial; defesa cobra acesso aos dados brutos da perícia

Fonte: Metro 1
Defesa de Vorcaro aponta alterações em celular apreendido pela PF e questiona provas Foto: Reprodução / Metro 1
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A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, questiona a integridade dos dados extraídos do celular do banqueiro pela Polícia Federal. Em documento apresentado nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados apontam movimentações no aparelho durante o período em que ele já estava sob responsabilidade dos investigadores, após a apreensão, em novembro de 2025.

O levantamento foi realizado por meio de uma perícia preliminar encomendada pela própria defesa. De acordo com o parecer, no dia da prisão de Vorcaro, 657 arquivos sofreram alterações e outros 436 foram criados. Entre os registros modificados, 59 eram bancos de dados. Já os novos arquivos incluíam 94 imagens e cinco bancos de dados.

Um dos pontos destacados pelos advogados envolve atividades registradas durante a madrugada de 18 de novembro, quando o celular já estava em posse da polícia e configurado em modo avião. O intervalo analisado, entre 23h22 do dia 17 e 2h25 do dia seguinte, reúne 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo sistema de reconhecimento facial e três conexões pela entrada USB.

Para a defesa, a ausência de registros sobre quem teve contato com o equipamento e quais procedimentos foram realizados compromete a transparência da análise. Os advogados sustentam que não receberam documentação capaz de esclarecer as movimentações identificadas.

"O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado", afirma a defesa.

A contestação também está relacionada a conteúdos atribuídos ao ex-banqueiro que foram divulgados publicamente. Segundo os advogados, a perícia particular foi solicitada porque Vorcaro não reconhece a autenticidade de parte desse material.

No pedido encaminhado ao Supremo, a defesa solicita acesso aos arquivos originais obtidos na extração do celular, aos códigos hash utilizados para verificar a integridade dos dados e aos documentos que detalham a cadeia de custódia. Também cobra fotografias dos lacres colocados no momento da apreensão e a identificação de todas as pessoas que tiveram contato com o aparelho antes da perícia, incluindo uma eventual participação de profissionais que não integram a Polícia Federal.

Os advogados afirmam que tentam obter essas informações desde fevereiro deste ano. Agora, pedem que os dados originais sejam preservados imediatamente, sob custódia verificável, para permitir a conferência dos procedimentos realizados.

Indiciamento

A contestação da defesa foi apresentada um dia depois de a Polícia Federal indiciar Vorcaro e outros 14 investigados por suspeitas de participação em irregularidades envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

O relatório parcial, encaminhado ao STF na quarta-feira (28), tem mais de 700 páginas e inclui entre os indiciados Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

De acordo com os investigadores, Vorcaro e Costa ocupavam posições no "núcleo estratégico da organização criminosa" que buscou viabilizar a aquisição do Banco Master pelo BRB entre 2024 e 2025.

A Polícia Federal também solicitou mais 60 dias para dar continuidade às apurações, concluir perícias e entregar um relatório complementar. A prorrogação depende de análise do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.

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