Prefeitura de Salvador afirma ter denunciado esquema de fraude no IPTU antes de operação da Polícia Civil
Segundo a Sefaz, irregularidades foram identificadas em auditoria interna e envolveram alterações no cadastro de imóveis para reduzir valores do imposto
Foto: Reprodução/ VarelaNet A Prefeitura de Salvador informou que a investigação que resultou na Operação Valor Venal, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (17), teve origem em uma denúncia apresentada pela própria Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) às autoridades, em fevereiro deste ano.
De acordo com a pasta, as suspeitas também foram identificadas durante uma auditoria interna, que levou à abertura de uma sindicância para apurar possíveis irregularidades e responsabilidades.
Segundo a Polícia Civil, o esquema investigado envolvia principalmente imóveis de médio e grande porte localizados em áreas nobres de Salvador, além de grandes empreendimentos comerciais. As informações inseridas no Cadastro Imobiliário da Sefaz teriam sido alteradas de forma irregular para reduzir a base de cálculo do IPTU.
Entre os dados que poderiam ser modificados estavam o ano de construção dos imóveis, a natureza da ocupação e o fator utilizado para calcular o valor venal.
Prefeitura diz ter identificado acessos irregulares
A Sefaz afirmou que encontrou indícios de irregularidades atribuídos a colaboradores e despachantes que se apresentavam indevidamente como procuradores autorizados pela secretaria.
A Prefeitura também informou ter identificado acessos não autorizados ao sistema realizados por funcionários terceirizados. Segundo a administração municipal, os trabalhadores envolvidos foram desligados das funções.
Os processos relacionados aos casos identificados foram revertidos. Com isso, as cobranças do IPTU foram recalculadas com os valores considerados devidos e encaminhadas aos respectivos contribuintes.
Além disso, foram instaurados Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra servidores. Os procedimentos são conduzidos pela Controladoria-Geral do Município, a pedido da Sefaz.
Operação Valor Venal
A operação da Polícia Civil cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de cargo público e constrição patrimonial.
Por determinação judicial, bens e valores de até R$ 20 milhões podem ser bloqueados. A medida tem como objetivo garantir eventual ressarcimento dos prejuízos investigados.
A Sefaz afirmou que mantém medidas de controle e segurança dos procedimentos administrativos e orientou contribuintes que tenham dúvidas a procurar o Posto Central da secretaria, no Centro Histórico, ou acessar o portal do órgão.
A pasta também recomenda que os cidadãos solicitem o número de protocolo e cópias dos processos em atendimentos ou solicitações administrativas, como forma de garantir maior transparência e rastreabilidade.


COMENTÁRIOS