Bala da arma de PM presa foi encontrada no local da morte de Léo Lanches
Delegada afirma que laudo pericial apontou compatibilidade entre o projétil encontrado no local e a arma portada pela policial; suspeita permanecerá à disposição da Justiça até a conclusão do inquérito
Foto: Reprodução/Aratu On O laudo pericial que apontou a compatibilidade entre o projétil encontrado no local do crime e a arma portada pela policial militar investigada é um dos principais elementos da investigação sobre a morte do comerciante Leonardo Gil Lima, conhecido como Léo Lanches, em Salvador.
A informação foi dada, nesta quarta-feira (5), pela delegada Núncia Zaira Neves Pimentel, titular da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico). A delegada também confirmou que a suspeita permanece à disposição da Justiça até a conclusão do inquérito.
Segundo a delegada, a soldada foi conduzida por equipes da Polícia Civil, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, em cumprimento ao mandado de prisão preventiva. Durante o procedimento, ela exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e foi encaminhada para custódia no Batalhão de Choque da PM.
De acordo com a investigação, um laudo inicial do Departamento de Polícia Técnica (DPT) apontou que um projétil encontrado no local do crime é oriundo da arma que estava sob posse da policial no dia da ocorrência. Esse resultado embasou o pedido de prisão preventiva.
Ainda conforme a delegada, outro policial militar acompanhava a suspeita durante a ação realizada no bairro de São Cristóvão, no último dia 23 de julho. Ele já foi ouvido pela Polícia Civil e deverá prestar um novo depoimento no decorrer das investigações. Até o momento, entretanto, não há pedido de prisão contra o agente.
Sem indícios de troca de tiros
Um dos principais pontos esclarecidos pela delegada diz respeito à dinâmica da ocorrência. Embora a região onde o crime aconteceu seja conhecida pela atuação de grupos criminosos, a investigação ainda não identificou elementos que confirmem a versão de um confronto armado no momento em que Léo foi baleado.
"Não podemos negar que aquela área específica é uma área onde há um tráfico deflagrado, mas não foi, até o momento, vislumbrada uma situação de troca de tiros", afirmou.
A declaração reforça o que vinha sendo sustentado por familiares e moradores da região, que contestam a hipótese inicial de confronto durante a ação policial.
Investigação será baseada em provas técnicas
Ao comentar a repercussão do caso e a cobrança da família por justiça, Núncia Zaira ressaltou que o inquérito será conduzido com base em provas técnicas, respeitando o princípio constitucional da presunção de inocência.
Segundo ela, embora a Polícia Civil acolha os familiares da vítima e compreenda a comoção provocada pelo crime, os depoimentos marcados pela carga emocional não substituem os elementos técnicos necessários para a responsabilização criminal.
A delegada afirmou que o objetivo é entregar à Justiça uma investigação consistente, baseada em perícias, depoimentos e demais provas produzidas durante o inquérito.
Prisão ocorreu menos de duas semanas após o crime
Léo Lanches, de 33 anos, foi baleado na cabeça durante uma ação da Polícia Militar em São Cristóvão, no dia 23 de julho. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Geral Menandro de Faria, mas não resistiu aos ferimentos.
O comerciante era casado, deixou três filhos e havia inaugurado sua lanchonete apenas quatro dias antes de morrer.
Segundo a Polícia Civil, desde a instauração do inquérito foram ouvidas testemunhas, analisadas imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos e realizadas perícias para esclarecer a dinâmica da ocorrência.
A suspeita passou por audiência de custódia e permanecerá presa preventivamente enquanto as investigações prosseguem. A conclusão do inquérito será encaminhada ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, responsáveis pelas próximas etapas do processo.

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