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Mata de São João,24/04/2026

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Mulher fica grávida de dois homens ao mesmo tempo; entenda por que isso pode se tornar comum

Fenômeno permite que uma mulher engravide de dois homens no mesmo ciclo e gere gêmeos com pais diferentes

Fonte: BNews
Mulher fica grávida de dois homens ao mesmo tempo; entenda por que isso pode se tornar comum Foto: KS6 News
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Dois irmãos gêmeos, o mesmo parto, a mesma mãe e pais diferentes. Foi esse o resultado que saiu de um teste de DNA feito em 2018 no Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia, de acordo com a BBC. A análise precisou ser refeita. E depois, conferida de novo. Não era erro.

A mulher havia procurado o laboratório para um exame de rotina. Queria confirmar a paternidade dos filhos, nascidos dois anos antes. O que veio depois fugia completamente do padrão esperado: apenas um dos bebês tinha compatibilidade genética com o homem que se apresentou como pai.

Os pesquisadores já conheciam o fenômeno em teoria a chamada superfecundação heteropaternal. Mas ver isso acontecer ali, no próprio laboratório, era outra história.

“Sou diretor do laboratório há 26 anos e este é o primeiro caso que presenciamos”, contou o geneticista William Usaquén. “E, até agora, o único”, disse em entrevista à emissora.

O teste que não fechava
A análise seguiu o protocolo padrão, usado em exames de paternidade. Amostras de DNA da mãe, das crianças e do suposto pai foram coletadas e comparadas em pontos específicos do material genético, os chamados microssatélites.

Funciona como um cruzamento de códigos. Parte do DNA precisa coincidir com o da mãe, outra parte com o do pai. Quando isso não encaixa, o alerta acende.

Os cientistas trabalharam com 17 desses marcadores. Em um dos gêmeos, tudo batia. No outro, não. A equipe refez o processo inteiro, desde a coleta, para descartar qualquer falha. Chegaram ao mesmo resultado.

Para quem está acostumado a lidar com milhares de exames, aquilo destoava.

Raro e muito
Casos assim são escassos até na literatura científica. Há registros pontuais espalhados pelo mundo. Um levantamento citado pelos próprios pesquisadores encontrou apenas três ocorrências em um universo de 39 mil testes de paternidade.

Para que dois gêmeos tenham pais diferentes, uma sequência pouco comum de fatores precisa acontecer. A mulher precisa liberar mais de um óvulo no mesmo ciclo. Ter relações com dois homens em um intervalo curto de tempo. E, por fim, cada óvulo precisa ser fecundado separadamente.

“Trata-se de um evento raro, somado a outro evento raro, mais um e mais outro evento raro. Infelizmente, não jogamos na loteria”, resumiu Usaquén.

Há ainda uma janela biológica limitada. Os óvulos permanecem viáveis por cerca de 24 a 36 horas. É nesse intervalo que as fecundações precisam ocorrer.

A pesquisadora Andrea Casas lembra que esse processo nem sempre é simultâneo. “Às vezes, uma trompa libera um óvulo e, depois de dois ou três dias, libera o outro”, explica. Isso pode ampliar — ainda que pouco — a chance de um cenário como esse.

O que não aparece no exame
Apesar do interesse científico, há limites claros. O laboratório não investiga a vida pessoal de quem procura o serviço.

“Os testes de filiação sempre são realizados respeitando a integridade e a intimidade das pessoas”, diz Usaquén.

Também há um fator prático: muita gente nunca faz teste de paternidade. Isso ajuda a explicar por que episódios assim quase não aparecem, não necessariamente porque não acontecem, mas porque passam despercebidos.

Ainda assim, com o avanço dos exames genéticos e o aumento da procura, os pesquisadores acreditam que esse tipo de descoberta pode deixar de ser tão raro quanto parece hoje.

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